Ano XVII nº 65.
Salvador, ago. / nov. 2009

 

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Entrevista
Prazer em contar histórias
Walcyr Carrasco



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Artigos

Programas televisivos infantis e valores morais: uma aproximação com Walter Benjamin
Andrea Müller Garcez


relaciona discussões sobre os valores morais presentes em programas televisivos infantis –classificados como ER (especialmente recomendados) para crianças e adolescentes – com algumas reflexões do filósofo Walter Benjamin a respeito de livros infantis e brinquedos, assim como com sua visão acerca de infância, cultura e relação entre adultos e crianças.

Linguagem, leitura e psicanálise
Dinéa Maria Sobral Muniz

sugere que articular o tema da formação do leitor, um dos mais importantes objetivos da educação, com o tópico da constituição do sujeito, uma das mais pertinentes formulações da teoria psicanalítica, talvez possa contribuir para a mudança de paradigma na prática pedagógica de formação do leitor, pela introdução da noção de desejo de ler.

Arte na escola e a necessária presença da produção contemporânea
Sandra Regina Ramalho e Oliveira

destaca a necessidade da presença da obra de arte propriamente dita diante do espectador, tanto do professor, que se propõe a abordar a leitura da obra, quanto do aluno, a quem deve ser possibilitada a “alfabetização” visual – ou a imagemização – e o consequente acesso ao patrimônio cultural expresso em imagens.

Games, aprendizagem e leitura: na trilha dos (des)compassos
Lynn Alves

apresenta uma reflexão em torno da presença dos jogos eletrônicos no cenário contemporâneo e as relações que alunos e professores estabelecem com essas mídias, (des)construindo sentidos no âmbito da aprendizagem e da leitura. Sentidos que são trilhados a partir de compassos e descompassos, no que se refere à compreensão dos objetivos e das narrativas presentes nos games.

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O X da Questão

A linguagem dos jovens na contemporaneidade: aplausos ou censura?
Compreender é melhor que censurar
Gilson Alves Lima
Aplausos, claro... Alguma dúvida?
Nelson De Luca Pretto

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Tertúlia com...
Glauber Rocha: um dragão da estética
José Umbelino Brasil

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Refletindo o fazer
Música e infância no rádio: o programa Serelepe na Rádio UFMG-Educativa
Eugênio Tadeu Pereira, Cristiane da Silveira Lima, Gabriel Murilo Resende e Reginaldo Santos

expõem algumas reflexões sobre música, infância e rádio a partir das experiências do programa Serelepe – uma pitada de música infantil, no ar desde 2005, na Rádio UFMG Educativa, com uma programação marcada pela proposta de difusão musical diferenciada. Os autores expõem o resultado de um trabalho multidisciplinar que procura envolver as áreas de teatro, música e comunicação.

O lugar do teatro na educação do campo
João Rodrigues Pinto

relata a ação teatral do grupo Artevida no contexto da aprendizagem proposta pela Escola Família Agrícola de Nestor Gomes – município de São Mateus (ES). A proposta relaciona a prática educativa da escola com a arte da interpretação, favorecendo o aprendizado e a leitura da educação popular.

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Editorial
Formar leitores para diferentes mundos

Ao falar de leitores, o texto escrito ganha destaque. Sem dúvida, a formação do leitor passa pelas páginas novas ou amareladas dos mais variados títulos da literatura, assim como dos textos técnicos que orientam o profissional e das publicações teóricas que tentam explicar a construção de muitos mundos. Mas como negar o fato de que alguns mundos não estão contidos nas atuais 26 letras do alfabeto nem subordinados às novas regras ortográficas da Língua Portuguesa (que agora a revista assume)? Que eles possuem sons, cores e formas distintas? Que estão registrados em paredes, em acordes musicais, em cores e texturas? Que se escondem atrás das coxias de palcos famosos ou nem tanto, que se exibem em horários específicos da televisão ou do rádio? Que podem, inclusive, ser compostos por sequências de zeros e uns, que ganham funções multiformes na tela de um computador? O conceito de leitor com o qual buscamos trabalhar, nesta edição da Presente!, é o de indivíduo apto a interpretar linguagens específicas, capaz de construir sentido e dialogar, a partir do recorte de mundo que lhe é oferecido, com outros tantos mundos que o circundam. Assim, apresentamos o tema formação do leitor sob a ótica de linguagens múltiplas que se entrecruzam, ampliando a compreensão de realidade que esse sujeito ledor detinha. Talvez por vislumbrarem esses mundos com fronteiras mais tênues, portanto facilmente transponíveis, crianças e os adolescentes receberam destaque nesta edição. Nosso entrevistado, o autor Walcyr Carrasco, fala-nos da importância de se estabelecerem vínculos entre a literatura e o jovem leitor, além de apontar sugestões de trabalho em sala de aula. O desejo de ler e a formação do sujeito são o foco da professora Dinéa Maria Sobral Muniz, que relaciona leitura à psicanálise em seu artigo. Ainda dentro dos muros da escola, a pesquisadora Sandra Regina Ramalho e Oliveira discute sobre a leitura de obras de arte e as dificuldades de acesso, tanto por alunos como por professores, a esse patrimônio imagético. Distante dos centros urbanos, o professor João Rodrigues Pinto conta a experiência do grupo teatral Artevida a partir da proposta de aprendizagem da Escola Família Agrícola de Nestor Gomes, no município de São Mateus (ES). Tratando da linguagem audiovisual, a professora Andrea Müller Garcez debate, a partir de algumas reflexões do filósofo Walter Benjamin, as questões morais trazidas por programas televisivos infantis classificados como “especialmente recomendados” para crianças e adolescentes. A linguagem cinematográfica fica sob a resonsabilidade do cineasta e professor José Umbelino Brasil, estudioso e admirador das obras de Glauber Rocha. Os games também são discutidos aqui como instrumentos de formação de alunos e professores. As estratégias que tais sujeitos estabelecem, a fim de compreender as metas e as narrativas dos jogos eletrônicos, são o objeto de estudo da pesquisa coordenada pela professora Lynn Alves. Abrimos espaço também para a experiência do programa de rádio infantil da Universidade Federal de Minas Gerais, Serelepe, que aposta em uma forma diferenciada de se dirigir às crianças, difundindo conteúdos musicais a partir de uma proposta multidisciplinar. Nem todos os mundos pelos quais circulamos em nossa formação puderam ser contemplados nesta edição – uma ambição desmedida! Abrimos apenas algumas rotas e o convidamos, leitor, a se aventurar, descortinando novos horizontes – tão desafiantes quanto os já conhecidos, ou mais! Boas leituras!

Equipe Presente!



 
 

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