Entrevista
Por uma gestão coletiva da escola
Dilza Atta e Lícia Maria Freire Beltrão
Artigos
Aceita um Conselho? (Algumas reflexões sobre fetiche escolar, avaliação e conselho de classe)
Celso dos S. Vasconcellos
Ressalta a importância de se legitimar os conselhos de classe como espaços para a avaliação do ambiente escolar, bem como do processo de ensino-aprendizagem. Atribui ao conselho, estrutura de representação dos membros da comunidade escolar, a responsabilidade pela busca de alternativas para o enfrentamento dos problemas pedagógicos, comunitários e administrativos da instituição, superando, assim, o papel superficial de órgão avaliador e excludente.
Escola e Poder: em direção a uma ética da resistência permanente
Marisa Faermann Eizirik
Reflete sobre a escola como campo de articulação entre saberes e poderes, desafiada por lutas específicas, jogos de exclusão e inclusão, discursos e verdades visíveis e ocultos. Fundamentando-se em Foulcalt, traz considerações sobre o sentido de resistência e de seus dispositivos, os quais se inscrevem nesse jogo de poderes.
As práticas de organização e gestão da escola e a aprendizagem de professores e alunos
José Carlos Libâneo
Apresenta as práticas de organização e gestão educacional como exercícios educativos de aprendizagem para a comunidade escolar. Nesse aspecto, aliam-se requisitos organizacionais com práticas colaborativas e participativas que convergem para a solução das dificuldades encontradas pelas instituições de ensino.
Reflexões sobre o planejamento participativo democrático na escola pública
Pedro Ganzeli
Propõe a reflexão sobre o planejamento participativo democrático na escola pública a partir da relação entre planejamento e visão de mundo do gestor. Traz uma revisão sucinta das políticas nacionais e locais de educação no atual momento histórico, além de referências às inovações educacionais.
O X da Questão
As pesquisas acadêmicas têm contribuído para a melhoria do ensino?
Por que, “na prática, a teoria é outra”?
Ana Maria de Carvalho Luz
O caminho entre a produção e a ação
Dora Leal Rosa
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Tertúlia com...
Anísio Teixeira. Vida e projetos voltados à gestão democrática
Clarice Nunes
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Refletindo
o fazer
Escolas sulistas: limites e possibilidades vivenciadas nos últimos 20 anos
Marta Luz Sisson de Castro
Discute os achados de pesquisas realizadas sobre a aplicação das políticas públicas voltadas à gestão de escolas públicas da Região Sul do Brasil. Coloca ênfase nas práticas adotadas no Rio Grande do Sul para a eleição dos dirigentes escolares. Baseada em pesquisas realizadas no início dos anos de 1990, a autora evidencia as possibilidades de ação encontradas nas escolas estudadas.
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Sonhos e planos
São muitos os fatores que nos levam a repensar os trajetos, propor novas direções, fazer planos e as formas de gerenciá-los. Para alguns, o início de um novo ano e as expectativas que este carrega já são razões suficientes. Para outros, a dinâmica das relações humanas, financeiras, sociais, culturais, entre outras, exige que se escrevam e se reescrevam novos arranjos. E ainda há aqueles que fazem desse movimento o propósito de suas carreiras. Independentemente dos motivos (pessoais ou profissionais), os atores dessas ações possuem um desejo em comum: o de projetar algo, de concretizar idéias, de abrir os caminhos entre a situação de desconforto e a planejada. Todos, portanto, nos lançamos nesse desafio. Foi assim, por exemplo, com as escolas durante suas reuniões de planejamento de atividades para 2009, bem como com o corpo técnico-pedagógico das secretarias de educação, universidades e centros de pesquisas responsáveis pelo desenvolvimento e aplicação de políticas públicas. Assim também foi com a Presente!. Foi o tempo de rever nossa periodicidade (agora trabalhamos com um calendário quadrimestral de publicação), de reorganizar nosso quadro de profissionais, de avaliar se este seria o melhor momento para a revista assumir as inovações trazidas pelo novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (por ora, preferimos usufruir de um tempo maior para adaptação às novas regras), de observar quais debates estarão em evidência na área de educação. Por isso, diante dos questionamentos gerados pelos dados divulgados sobre a semelhança de resultados obtidos entre escolas públicas sob diferentes realidades de investimento, decidimos que o ideal seria promover uma discussão sobre a gestão e a participação da comunidade escolar na instituição de ensino.
Nessa direção, focamos as relações de poder no espaço escolar, defendemos a consolidação dos conselhos de classe, confirmamos a importância da gestão coletiva e expusemos os desafios do planejamento participativo, instaurando o debate para além do problema da administração dos recursos financeiros – sem dúvida, essenciais ao bom funcionamento da escola, mas insuficientes (sempre) para dar conta das questões pedagógicas dos nossos dias.
Iniciamos essa reflexão na entrevista com a professora Dilza Atta que, através do olhar retrospectivo de uma experiência vivenciada ainda nos anos de 1960, fala da importância de se pensar a gestão democrática. O produto dessa ação coletiva também pode ser encontrado em conselhos de classe comprometidos com a aprendizagem dos alunos, evitando a prática comum da avaliação com intenções punitivas e restritivas, conforme argumenta Celso Vasconcellos. O funcionamento dos jogos de exclusão e inclusão que operam dentro da escola, assim como suas repercussões entre alunos, professores, coordenadores, diretores e demais trabalhadores escolares, é o foco do artigo da professora Marisa Eizirik.
Por sua vez, o professor José Carlos Libâneo traz para o debate os aprendizados possíveis entre aqueles que integram a comunidade escolar e que, por isso, devem participar das decisões tomadas para a gestão da instituição de ensino. Complementando essa visão, o pesquisador Pedro Ganzeli apresenta suas impressões sobre a aplicação do planejamento participativo democrático na escola pública, exercício necessário à produção de identidade coletiva sobre o significado da escola, bem como sobre os rumos que esta está trilhando. O caminho percorrido pelas instituições educacionais da Região Sul, em 20 anos, é objeto de reflexão da professora Marta Sisson de Castro.
Cada autor, a partir de seu ponto de vista, lembra que a função do planejamento não é representar, simplesmente, o futuro ou o que pode existir, mas o amanhã a construir e o possível a concretizar-se em real. Para isso, faz-se imprescindível fazer escolhas e, quando necessário, alterá-las, transformando-se.
Um Feliz e Santo Natal!
A equipe
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