Ano XVI nº 63
Salvador, Dez 2008/ Mar 2009
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Entrevista
Precisamos de Consciência Histórica e Vínculos Afetivos
Vanda Machado
Artigos
"Quem não pode atalhar, arrodeia!"
Amauri Mendes Pereira
fala do conceito, ainda em construção, de história e cultura afro-brasileiras; da legitimidade política da Lei 10.639/03, cuja conquista se confunde com as demandas do Movimento Negro e também dos desafios à sua implementação nos âmbitos da escola e da academia.
Da escola para índios às escolas indígenas
Maria Aparecida Bergamaschi e Rosa Helena Dias da Silva
refletem acerca da educação escolar indígena no Brasil e os processos que configuraram a escola específica e diferenciada nas aldeias, tendo como referência as experiências de construção e vivência de escola indígena dos povos Guarani (Rio Grande do Sul) e Mura (Amazonas).
A discriminação racial no ambiente escolar pelas lentes de famílias negras e brancas
Márcia Regina Luiz Gomes
descreve pesquisa realizada em escolas municipais de Cuiabá, Mato Grosso, destacando depoimentos de famílias (negras e brancas) que evidenciam a presença de atitudes preconceituosas, explícitas ou veladas, no cotidiano escolar e o modo como reagem a elas.
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O X da Questão
As Leis 10.639/03 e 11.645/08 se fazem necessárias?
Para todos os brasileiros
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Evaldo Ribeiro Oliveira e Danilo de Souza Morais
Por uma outra estrutura educacional
Lúcio André Andrade da Conceição
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Tertúlia com...
Abdias Nascimento: luta e memória negra
Antonio Olavo
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Refletindo o fazer
Pedagogia Griô - ritual de vínculo e aprendizagem
Líllian Pacheco
conta-nos como o Grãos de Luz e Griô – projeto inspirado na tradição oral africana e nos saberes e fazeres do povo de Lençóis, na Bahia - trabalha para o fortalecimento da identidade e ancestralidade do povo brasileiro.
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Editorial
Articular os pólos
Guardadas as diferenças textuais, as constituições brasileiras afirmam que todos são iguais perante a lei. Do texto ao contexto, como se estabelecer a igualdade?
Visualizando as contradições existentes em nossa sociedade, constatamos os inúmeros obstáculos para se estabelecer a igualdade. Por um lado, afirmamos, antes de mais, ser necessário assumir o princípio da igualdade material, além da formal. Portanto, não basta afirmar a igualdade perante a lei, mas procurar reduzir as desigualdades. A constituição brasileira atual caminha nesse sentido.
Sabemos, por outro lado, que traduzir esse texto da nossa Constituição para o contexto real, dinâmico e complexo da sociedade brasileira se constitui um enorme desafio para todos os interessados em exercitar princípios e práticas que conduzam à superação das gritantes desigualdades existentes.
Portanto, no âmbito educacional, consideramos as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 uma tradução de lutas ininterruptas da sociedade civil, especialmente dos movimentos negro e indígena, que, inscrevendo a problemática das relações étnico-raciais no Brasil, evidenciaram a sua face multiétnica e pluricultural e afirmaram a diversidade como base para a instauração da democracia e da justiça efetivas.
Essas leis são necessárias? São redundantes, ao tratarem de temas já incluídos no currículo escolar? Ferem a autonomia das escolas? Podem “engessar” o currículo? São questões relevantes que emergem nesse momento e que não suportam repostas aligeiradas e polarizações simplórias. Consideramos, independentemente de qualquer posição, que elas trazem o salutar debate de pensamentos divergentes sobre o tema, fundamental à convivência democrática e à assunção do espírito livre. Sem dúvida, esse papel elas já vêm cumprindo.
Tendo em vista a diversidade brasileira, articular os pólos igualdade-diferença é o grande desafio. Assumir a diversidade é respeitar as diferenças e permitir o seu exercício, enfrentando os inevitáveis conflitos encenados em uma sociedade multifacetada como a nossa. Essa é uma tarefa a ser assumida por toda a sociedade, entretanto, a escola tem papel imprescindível.
Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, afirma que “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar...” Confiando na sabedoria de Mandela e no poder relativo da escola, acreditamos que estamos em um momento propício para (re) construirmos o nosso processo educativo para as relações étnico-raciais no Brasil, acolhendo as diversas vozes e versões possíveis sobre um mesmo fato produzido coletivamente, diminuindo, assim, a ignorância sobre a nossa história e a nossa cultura. Enfim, sobre o outro e nós mesmos.
A equipe
Revista de educação para quê?
Desde que comecei a trabalhar no CEAP, em 1999, como estagiária e mais tarde como coordenadora editorial da Presente!, ainda que bastante envolvida e apaixonada pelo processo de produção da revista, sempre tive uma inquietação. Afinal, “não basta fazer poemas, temos que ter coragem de defendê-los”.
A primeira resposta a tal inquietação veio de Garcia Lorca que, numa entrevista publicada em 1935, confessou: “Às vezes, ao ver o que acontece no mundo, pergunto a mim mesmo: para que escrever? Mas é preferível trabalhar, trabalhar como uma forma de protesto.” Depois, a cada nova edição, outras respostas encontrei. Respostas que me fizeram perceber o quanto a Presente!, ao passo que se firma como espaço de diálogo entre teorias e práticas; de encontro entre a academia e a escola; de debate entre divergentes e complementares idéias; de divulgação da produção acadêmica..., faz-se necessária para fertilizar esse árido terreno da educação brasileira e iluminar a ação pouco valorizada de seus profissionais.
Hoje sigo para novas empreitadas e o faço confiante na persistência do CEAP em dar continuidade a essa publicação e no empenho da jornalista Fernanda Alamino, que agora assume a coordenação com alegria e compromisso – essenciais ao fazer da revista. Porém, não sem antes dizer a vocês que foi uma honra estar em tão boa companhia todos esses anos e agradecer: ao CEAP, pela oportunidade de juntos aprender e por confiar a mim a coordenação de um dos seus importantes projetos; à equipe (editorial, consultores, divulgação, revisão, diagramação, estagiários) que, mesmo pequena, soube multiplicar-se nos momentos mais críticos; aos articulistas, artistas e demais colaboradores, pela parceria e trabalho e, finalmente, aos leitores-educadores, que dão vida à revista, levando-a para diferentes espaços e sugerindo novos caminhos.
Alguém já disse que partir é uma forma de ficar, até porque o que realmente importa é o que ainda não foi feito. Mãos à obra!
Um abraço e um Natal com esperanças renovadas!
Zulamar Aurélio
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