Ano XVI nº 62 Salvador, set / nov 2008  

 

 


Ano XVI nº 62
Salvador, set / nov 2008


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Entrevista
Escola e Família – parceiras, sim; idênticas, não!
Terezinha Azerêdo Rios

 

Artigos

Família contemporânea: novos arranjos e modos novos de intermediação
Andrea Seixas Magalhães

aborda o processo de transformação ocorrido nos últimos tempos na família, na escola e nos seus intercâmbios a partir de uma perspectiva sócio-histórica e de contribuições do campo de estudos da terapia familiar, ressaltando que os novos arranjos familiares são manifestações dos modos de pensar, sentir e de se relacionar na contemporaneidade.

Ética no cotidiano escolar: fundamentos e práticas
Alípio Casali

identifica a qualidade ética da escola e do educador na sua interioridade, considerando educador ético aquele que realiza integralmente a sua ação pedagógica, desenvolvendo as potencialidades de criação e cuidado da sua própria vida e da vida dos seus educandos.

Vygotsky e uma caixa de isopor sobre os ombros
Joselito Manoel de Jesus

calcado em contribuições intelectuais de Lev Semenovich Vygotsky, defende uma pedagogia que valorize a experiência cotidiana de crianças, jovens e adultos das camadas populares como matéria-prima de um currículo escolar inserido num processo formativo de caráter emancipatório.


Lições de escrita: cenas e usos, das 12 às 10
Lícia Maria Freire Beltrão

serve-se do comunicado - gênero discursivo comum à esfera escolar - no esforço de estabelecer uma relação dialógica com a escola, tendo como objeto de análise a produção textual da própria filha no seu tempo livre.

 

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O X da Questão

Quais os limites na relação escola-família?
Escola e Família: o que cabe a cada uma

Luciana Maria Caetano
Escola e Família: especificidades e limites
Maria Eulina Pessoa de Carvalho

 

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Tertúlia com...
O grande legado de Dom Hélder Câmara
Walter Praxedes

 

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Refletindo o fazer
AED – outra possível tradução
Cristiane Santos da Luz

reporta-se à origem, expõe a estrutura e revela a dinâmica do projeto Adoção Escolar a Distância (AED), desenvolvido pelo CEAP com adolescentes e jovens estudantes. Destaca, além das diversas parcerias feitas com instituições e profissionais voluntários, o trabalho integrado com a família e a escola do público atendido pelo projeto.

 

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Editorial
Com cuidado e autoridade

Hoje, como a escola, a família é alvo de análises e críticas vindas de vários segmentos da nossa sociedade. Suas configurações atuais são questionadas, sua autoridade é posta em xeque, suas atribuições são interrogadas. Como a escola, a família lida com a fragilidade dos referenciais socioculturais, aprisionada pelas incertezas que regem a cotidianeidade. Curiosamente, assegura Magalhães que “a família ainda permanece como um lugar da confiança, dos laços sólidos, de apoio e de proteção”; já o professor Joselito de Jesus nos diz que “a escola (...) tem um papel importantíssimo no desenvolvimento das potencialidades intelectuais [do sujeito]”. Sabendo tratar-se de duas poderosas instituições no processo de construção da autonomia e socialização do indivíduo, influenciando-se mutuamente, resolvemos empreender um esforço para compreender essa dinâmica através da discussão de um tema caro, particularmente, à comunidade educativa: a relação família-escola.
Buscamos, primeiramente, na própria caminhada do CEAP, elementos que pudessem contribuir para a riqueza dessa discussão. Assim, com “a cara e a coragem”, tão própria dos adolescentes e jovens protagonistas do projeto Adoção Escolar a Distância (AED), o CEAP se permite ocupar novamente a seção Refletindo o fazer. A experiência relatada destaca a importância de a escola considerar “as histórias, os saberes e as singularidades” de cada família e de o sujeito reconhecer-se como cidadão de direitos, o que contribuiria para a sua permanência e sucesso na escola. Sob o ponto de vista de Magalhães, “torna-se necessário [escola e família] manter um diálogo aberto, constante, informado e reflexivo” - tarefa criteriosamente realizada por Beltrão, em Lições de escrita, “na expectativa de que suas sugestões sejam compreendidas como inconteste vontade de colaborar com a escola”. Para Alipio Casali, “pais, familiares dos alunos e lideranças da Comunidade não podem ser apenas convidados a participar da Escola. Eles devem ser convocados a constituir a Escola”. Mas, com receio de que uma visão romântica prevaleça, Terezinha Rios adverte: “Precisamos pensar na parceria escola-família para além de uma proposta que desobriga o Estado, que deixa de apontar sua responsabilidade na construção de políticas sólidas e efetivamente construtoras de uma educação de boa qualidade”.
Na discussão provocada pelos nossos articulistas, uma coisa ficou bem clara: a educação das crianças e jovens do nosso país é trabalho de muitas mãos – do próprio aluno, da família, da escola, da sociedade civil, do Estado. Sendo assim, guardadas as especificidades e limites de cada instituição, cabe a elas saberem ocupar seus respectivos espaços e proferir suas distintas lições com afeto, cuidado e autoridade. .

A equipe