Ano XVI nº 61
Salvador, jun / ago 2008
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Entrevista
"O primeiro passo é cuidar do Professor"
Pedro Demo
Artigos
Estresse e Saúde no trabalho docente
Tânia Maria de Araújo
dá visibilidade às relações que se tecem entre o processo de trabalho, as práticas pedagógicas postas em ação no cotidiano escolar e o processo de desgaste físico e mental dos trabalhadores em educação, especialmente o estresse ocupacional.
Quando trabalhar na escola produz saúde
Maria Elizabeth Barros, Dorotéia Carlini Zorzal, Fernanda Silva de Almeida, Roberta Zacché Iglesias e Vivian Gomes V. de Abreu
apresentam uma experiência vivenciada numa escola municipal da rede de ensino da cidade de Vitória, partindo do princípio de que o cotidiano escolar não produz apenas sofrimento e dor mas também prazer e saúde - novas formas de vida.
Escolas hospitalares como espaços de intervenção e de pesquisa
Alessandra Barros
conceitua e dá um breve panorama da extensão e alcance da Classe Hospitalar no Brasil e na América Latina, defendendo mais pesquisas problematizadoras em torno desse campo do conhecimento, para que essas reflitam efetivamente no atendimento prestado a crianças e adolescentes internados.
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Recuperação das dimensões lúdica e estética - reinvenção da escola
Roberto Sanches Rabêllo
advoga em defesa do professor, vítima da pressão e da expectativa sociais em torno do seu trabalho, argumentando a favor de uma formação sólida, que possibilite a vivência lúdica e o exercício da sensibilização estética, para uma compreensão mais integral da vida e do ser professor.
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O X da Questão
Bom professor: como tornar-se um?
Na coletividade, a inteireza do professor
Heloísa Tourinho Monteiro e Marlene Oliveira dos Santos
Interligação de Saberes - uma nova ética na formação de professores
Ivani Fazenda
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Tertúlia com...
Palavra e profecia
Miguel Martins Filho
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Refletindo o fazer
Escola sem bullying: ressignificando as relações humanas
Jayson Magno da Silva
fala da sensibilização e mobilização de professores, alunos, gestores e comunidade de uma escola da rede estadual de São Paulo em torno da elaboração e execução do projeto Lições de cidadania e direitos humanos: escola sem bullying.
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Da importância da formação digital de professores
Bruno Olivatto, Francisca Nery e Maria Ornélia Marques
analisam, num projeto de formação tecnológica/educacional, as transformações atitudinais/formativas, sobretudo na percepção individual em relação à autoconfiança no uso do computador e à autoconfiança para ensinar, em um grupo de professores de escolas comunitárias da periferia de Salvador.
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Editorial
De corpo e alma
Objetivo principal do CEAP, a formação continuada dos professores traduz-se pela incessante busca de valorização dos profissionais da educação e, conseqüentemente, do enriquecimento do processo ensino-aprendizagem. Assim sendo, coragem e ousadia não podem faltar; espírito de serviço também não. E foi assim que, tomados por esses sentimentos, nos lançamos em empreitada inédita: construir um projeto de formação tecnológica educacional com um grupo de professores de escolas comunitárias da periferia de Salvador-BA. O medo de realizar algo nunca antes feito por nós fez-se sentir, mas a vontade de nos desafiar prevaleceu. Os impactos produzidos na vida dos participantes desse projeto podem ser conhecidos no artigo Da importância da formação digital de professores. É de fato como esse que advém a força da nossa instituição; a robustez do nosso trabalho. Acreditamos na inegável capacidade inventiva do educador. Temos convicção de que “uma formação sólida passa pelo domínio das novas ferramentas de construção de conhecimento e de aprendizagem, assumindo a tecnologia na perspectiva de expressão da cultura contemporânea”. Não obstante, reconhecemos a importância e a necessidade premente de investimento numa formação que – nas palavras do nosso articulista Roberto Rabêllo – possibilite a vivência lúdica e o exercício da sensibilização estética, para uma compreensão mais integral da vida e do ser professor. Afinal, como bem asseguram as autoras do artigo Quando trabalhar na escola produz saúde, questões como o sucateamento do ensino público e desvalorização da atividade docente têm constituído, hoje, um quadro da educação brasileira, mas a educação não pode ser reduzida a elas. A educação em que acreditamos e pela qual lutamos, portanto, não se rende a essas condições aviltantes. No entanto, contraditoriamente, tais condições, muitas vezes, inviabilizam os planos do professor, tornam acanhadas suas ações, simplistas seus objetivos, fazendo-os descrer de si mesmos. E a isso não se pode fechar os olhos.
Os profissionais da educação que se juntam a nós nesta edição fazem coro ao afirmar que é preciso cuidar do professor, no mesmo tempo que tira dos seus ombros a responsabilidade de educar em completa solidão. Sabem que tamanha responsabilidade reflete na sua saúde e auto-estima e, por conseguinte, no seu desempenho profissional e na aprendizagem do aluno – prejuízo para uma sociedade inteira que aposta no preparo exigente dessa geração para a condução do Brasil nas próximas décadas.
Não podemos negar que estamos diante de um quadro desalentador, porém animemos uns aos outros e, em Tertúlia com..., inspirados por Pe. Antônio Vieira – quatrocentos anos de repúdio às iniqüidades -, bebamos da sua sabedoria. Sim! Tornemo-nos, cada vez mais, homens e mulheres conhecedores de sua história, pesquisadores de sua prática, apaixonados pelo que fazem. Assumamos uma posição política que desnaturaliza a realidade vivida e apostemos na transformação das práticas estabelecidas. Potencializando práticas concretas de ação – nos sugere Maria Elizabeth Barros -, forjaremos a criação de novos mundos, de outros modos de vida-trabalho.
Aqui, persistimos na nossa caminhada, celebrando talentos, como o artista baiano Menelaw Sete (autor da pintura Dualidade, estampada em nossa capa); agradecendo presenças, como a longa e fértil parceria com Luis Augusto, autor das tiras do Fala Menino, que hoje cede espaço para o cartunista Nildão, a quem damos as boas-vindas; contando com o seu apoio, leitor, alegria que não pode nos faltar.
A equipe
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