Ano XV n. 59 Salvador, dezembro 2007 /fevereiro 2008  


Entrevista
Adolescência: um fenômeno sociocultural
Feizi Mansur Milani

Artigos
Jovens: uma leitura de suas representações sociais
Maria Laura P. Barbosa Franco

visita alguns estudiosos para trazer à superfície, do ponto de vista histórico e social, o significado de ser jovem, justifica a escolha das representações sociais como escopo da sua pesquisa e apresenta-nos as que foram elaboradas pelos jovens em torno da categoria ‘trabalho’.

Orientação profissional - o seu lugar na escola
Fátima Laranjeira

aborda a importância e os percalços da estruturação da identidade vocacional-ocupacional do jovem e concebe o processo de orientação profissional - praticamente fora dos projetos escolares - como fundamental no espaço escolar para auxiliar na escolha de profissão de seus alunos.

Educação de jovens e adultos: a escola como espaço de sociabilidade
Maria Ornélia Marques

reflete sobre a presença dos jovens na escola noturna, particularmente nas classes de Educação de Jovens e Adultos, e sua implicação na função e estrutura escolares.

Rádio: uma onda sem sintonia na escola
Marcílio Rocha Ramos

a partir de pesquisa e da experiência com aparelhagens de rádio em escolas públicas e realização de rádios comunitárias, avalia o potencial de criação, socialização e participação com radiodifusão e, ao mesmo tempo, a limitação dessas possibilidades quando realizadas como simulacro do real.

O X da Questão
O Ensino Médio hoje, no Brasil, tem identidade?
Quando o Ensino Médio vai encontrar seu sentido?

Luis Carlos de Menezes

Ensino Médio: uma identidade com várias faces
Nildon Pitombo

 

Tertúlia com...
Os “Brasis” e os brasileiros de Chico Buarque de Holanda
Adalberto Fávero

 

Refletindo o fazer

Protagonismo juvenil: capacidade de gerar mudanças
Edlane da Silva Pacheco e Idson T. Marinho da Silva

trazem elementos para auxiliar na compreensão das tensões que envolvem a definição do termo “protagonismo”, associando suas múltiplas possibilidades interpretativas às reais condições de aplicabilidade no campo da educação, e relatam a experiência de uma escola pública da Baixada Fluminense que potencializa a ação autônoma dos seus alunos.

 

Juventude, escola e comunidade: diálogos criativos
Mª Eleonora D. Lemos Rabêllo e Fernanda Colaço

relatam a experiência dos jovens dinamizadores culturais, formados pelo Centro de Referência Integral de Adolescente (CRIA), e a pesquisa que os próprios jovens realizaram para saber sobre como a escola os percebia e o resultado de suas ações nela.

 

Viver plenamente!

A busca desmedida do homem pela eterna juventude tem deixado vazio, na nossa sociedade, o espaço reservado para o adulto – símbolo da experiência, da segurança, da referência de que o jovem tanto necessita para reconhecer-se como ser capaz de desenvolver suas múltiplas potencialidades.Desejando sai do círculo estritamente familiar, ele deve aventurar-se pelo mundo, “batalhar” pelo seu futuro - onde sonha com ensino de qualidade, trabalho digno, valorização social, oportunidades iguais...

 

Numa sociedade que tem usado farta e perversamente o adolescente como alvo de consumo, resta-nos saber: qual a nossa responsabilidade na formação desse jovem? Que caminhos apontamos para ele? Oferecemos escolhas? Estamos acreditando nos seus projetos? Para refletir sobre essas e outras questões, compreendendo ser, nas palavras dos autores do artigo Protagonismo juvenil, “incompatível pensar a juventude como única e homogênea”, elegemos o trabalho de gente dedicada a traduzir os seus anseios, os seus desejos, as suas angústias e, é claro, a divulgar seus feitos em terrenos que lhe exigem a superação de inúmeras dificuldades – fato inequívoco de que a nossa juventude está indo à luta em favor de um mundo melhor.

 

Na Entrevista, o hebeatra Feizi Milani alerta sobre esse “vazio” deixado pelo adulto ao dizer que passamos por um momento em que “ninguém quer ser o que é”, negando-se a viver o presente na plenitude. O resultado desse comportamento reflete-se na família e na escola, que se sentem fragilizadas no seu papel de instituições orientadoras das novas gerações, como assinala a psicóloga Fátima Laranjeira no artigo que defende um lugar permanente para o serviço de orientação profissional na escola pública e na particular.

 

Constituída basicamente por jovens, para a última etapa da educação básica reservamos O X da questão com a seguinte polêmica: “O Ensino Médio hoje, no Brasil, tem identidade?”. Aceito o desafio, os professores Nildon Pitombo e Luis Carlos de Menezes são cuidadosos em suas análises e convocam todos a “firmar um pacto consistente” e a “fazer o plano da jornada” para darmos novo rumo à formação escolar no nível médio.

 

Ainda que sob as adversidades e as incertezas, que atingem mais firmemente os jovens das camadas populares, são eles próprios que dão vida – e em dose dupla no Refletindo o fazer – a experiências sólidas, norteadas pela criatividade, participação, diálogo, parceria, em suas respectivas comunidades e escolas.

 

Que possamos, com aquilo que a juventude pode nos ensinar, renascer no Natal – tempo de contemplar o milagre da vida e olhar para a vida no mundo cm olhos de esperança -, fazendo de nossas intenções gestos concretos, “pro dia nascer feliz”. E o Ano Novo também!

Um Feliz e Santo Natal!

A equipe